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Transporte Escolar 17:46, 5 nov 2019 Alunos da região ribeirinha de Nazaré, distrito da capital de Rondônia, retomam ano letivo em novembro

Alunos da região ribeirinha de Nazaré, distrito da capital de Rondônia, retomam ano letivo em novembro

O governo do Estado assumiu o transporte escolar após ser instado pelo Ministério Público por ineficiência da gestão municipal

Alunos da área ribeirinha de Rondônia

Além dos moradores de Nazaré, a escola atende alunos de outras 13 comunidades que utilizam as voadeiras

A aproximadamente 150 quilômetros de Porto Velho e acesso apenas de barco, navegando pelas barrentas águas do Rio Madeira, Nazaré é um dos mais antigos distritos da capital, onde em um ritmo tranquilo a comunidade vive da pesca, garimpo e roçado.

Na localidade, desde 2013, a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Francisco Desmorest Passos atende aos alunos de Nazaré e outras 13 comunidades adjacentes: Papagaios, Conceição, Santa Catarina, Tira Fogo, Boa Vitória, Bom Fim, Pombal, Prainha, Vista Alegre, Laranjal, São José, Curicacas e Lago do Cuniã.

De acordo com o último levantamento feito pela escola, 108 alunos somam 75% do total corpo discente. A relação foi computada antes do ano letivo ser iniciado, no dia 3 de outubro. Atrasadas, as aulas estavam suspensas desde que o transporte escolar aquaviário parou de atender à maioria dos alunos. Com determinação do Ministério Público Estadual, o Governo Rondônia pegou para si a responsabilidade e, em cerca de quatro meses, licitou e contratou uma empresa para com as chamadas “voadeiras” fazer o percurso de ida e volta das comunidades adjacentes até Nazaré.

Alunos da área ribeirinha de Rondônia - Capital

Crianças e adolescentes enfrentam os barrancos diariamente para pegar a voadeira

Para os alunos que dependem do transporte escolar aquaviário, a ação direcionada pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) foi providencial. Jackon Xavier da Costa, 16 anos, disse que “sem a voadeira seria impossível continuar estudando”. O adolescente, que cursa o 8º ano do ensino fundamental, é morador da comunidade de Tira Fogo, a aproximadamente 30 minutos de distância do distrito de Nazaré.

Assim como Jackson, Samuel dos Santos Soares, 16 anos, também mora em Tira Fogo e está na mesma turma.“O transporte é importante para a gente estudar, sem ele não teria como se deslocar até a escola todos os dias”, declarou.

A escola foi inaugurada em março de 2013, e conta com 10 salas de aula refrigeradas, quadra esportiva, salas amplas para a administração, e todos os sábados os servidores promovem atividades envolvendo os alunos. “Temos vários projetos, como Educação Física, Ciências, Ambiental, e isso é muito válido para a integração não só dos alunos com a escola, mas toda a comunidade”, explicou a diretora Ana Laura Camacho Roca.

Maria Evelin Lopes, 14 anos, moradora da comunidade Boa Vitória, se sentiu prejudicada durante o período em que ficou sem aula devido à falta de transporte. “Me prejudicou muito porque ficamos quase um ano parados e atrasou nosso ano letivo, a maioria não é de Nazaré”. Ícaro Alves de Souza Valente, 14 anos, é da mesma turma de Evelin, 8º ano, e também é morador de Boa Vitória.

“Foi muito ruim esse atraso nos estudos, agora vou ter estudar bastante para conseguir passar de ano. Para mim foi muito legal o governo ter reativado o transporte escolar, porque agora eu consigo vir estudar”, disse Ícaro Valente, estudante do 8° ano, morador de Boa Vitória.

Segundo a diretora, o calendário escolar deverá ser resposto com aulas no 6º tempo, e há ainda a proposta da secretaria em estabelecer aulas em contra turno de ensino integral, mas Ana Clara acredita que acrescentando um tempo de aula a mais no horário diário já será possível pagar o período perdido.


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