17:17, 6 out 2016
Produção Orgânica

Escola de Tocantínia apresenta o futuro agrícola com a produção de orgânicos

Foto: Adilvan Nogueira / Seduc Tocantins

Tendo como lema a frase “Não se pode plantar e colher no mesmo dia”, o professor Raimundo apresentou aos seus alunos as vantagens da produção orgânica

Josélia de Lima / Governo do Tocantins

Foi pensando em criar um espaço para que os alunos pudessem colocar em prática os conteúdos teóricos estudados em sala de aula que o professor Raimundo Freire, do curso Técnico Agrícola da Escola Estadual Batista Professora Beatriz Rodrigues da Silva, em Tocantínia, criou uma horta escolar e um viveiro de mudas. O professor foi além, optou pela linha de produtos orgânicos, e a ideia deu tão certo que sua experiência será tema de um dos programas Vitrine do Campo, produzido pela TV Escola, a ser exibido nesta quarta-feira, 5.

Tendo como lema a frase “Não se pode plantar e colher no mesmo dia”, o professor Raimundo apresentou aos seus alunos as vantagens da produção orgânica para a saúde humana e para a preservação do meio ambiente e, além disso, é um produto com crescente oportunidade de negócios.

Raimundo arregimentou os alunos, que começaram a colocar em prática teorias que estavam nos livros. Com uma simples horta escolar, os estudantes puderam analisar tipos de terrenos, processos de irrigação, produção de compostagens orgânicas, estudo dos fungos, de técnicas naturais de combate às pragas, plantio de hortaliças e produção de mudas. Para produzir orgânicos com menores custos, a equipe optou por utilizar um sistema de irrigação artesanal com aproveitamento de 90% de rendimento eficaz do uso da água.

Mas não é só isso, para que os alunos entendam a matemática que mede o volume de água das chuvas de uma determinada região, o professor construiu um pluviômetro, um aparelho meteorológico, que mede em milímetros, a água gerada pela chuva que caiu numa determinada área. “Com esse processo, os alunos visualizam os cálculos da quantidade de chuva e, com isso, eles aprendem mais. Seria diferente se apenas fizéssemos esses cálculos no quadro”, ressaltou Raimundo Freire.

Tem mais, a escola começou a investir na produção de abacaxi, maracujá e banana cultivados de forma orgânica. “A nossa proposta é que com o tempo a nossa escola seja autossustentável, possamos vender nossos produtos e com os recursos investir na própria instituição”, frisou o diretor Antônio Sidney Rosendo. E, no viveiro, estão sendo cultivadas mudas de plantas medicinais, flores e ipê.

Há outras iniciativas, como a plantação de moringa, uma planta medicinal, conhecida como árvore milagrosa, cujas folhas são extremamente ricas em proteínas, em vitaminas A, B e C e minerais como cálcio, magnésio, potássio, sódio, fósforo e ferro. Da moringa são utilizadas, como matéria-prima medicinal, folhas, raízes, sementes, cascas, frutas, flores e vagens.

O diretor da escola, Antônio Sidney, explicou que a produção da horta está sendo utilizada na merenda escolar. “Já observamos uma economia nas despesas com a merenda. Também distribuímos produtos para os pais presentes na última reunião, como forma de valorizá-los e atraí-los para que participem mais das atividades da escola”, esclareceu.

“Nós estamos desenvolvendo outros projetos, como a formação da biblioteca das sementes. Já estamos preparando o espaço físico e os alunos estão selecionando e identificando as sementes”, disse o diretor Antônio Sidney.

“Aqui, o aluno é um agente, ele propõe, critica, sugere, inventa e, juntos, observamos o que deu certo e o que precisa melhorar. Além disso, estudamos a legislação que regulamenta a cultura e a comercialização dos produtos orgânicos”, explicou o professor.

Raimundo Freire é mestrando em Agricultura Orgânica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e, para seus estudos, instalou em Miracema uma estação de experimento com o cultivo de abacaxi orgânico. E também já levou os seus alunos para conhecer o resultado dos estudos com a produção de abacaxis e, nesta visita, os alunos foram entrevistados pela equipe do programa Vitrine do Campo.

A Escola Estadual Batista Professora Beatriz Rodrigues da Silva conta com 360 alunos e possui uma extensão rural, que atende estudantes de quatro assentamentos. A instituição de ensino oferta o curso Técnico Agrícola e o curso Técnico em Informática, ambos integrados ao ensino médio e, no período da noite, funciona com o ensino médio regular e turmas de Educação de Jovens e Adultos, 2º e 3º segmentos.

Experiência para a vida

O estudante Fernando da Silva Santos, 17 anos, cursa a 3ª série do ensino médio, e contou que já fez uma horta em casa para cultivar hortaliças sem adubos químicos e agrotóxicos. “Aprendemos a cuidar melhor da vida, de nossa saúde, consumindo produtos orgânicos. Percebemos que cada planta tem o seu tempo de vida e não devemos apressar o seu crescimento”, frisou.

A estudante Clara Geyse Ribeiro, 16 anos, da 2ª série do ensino médio, esclareceu como o cultivo da horta ajudou na compreensão dos temas estudados em sala de aula. “Aprendemos muito sobre a plantação, a forma certa de preparar o terreno, de semear e, na hora de consumir, preferir os alimentos mais saudáveis”, comentou. Clara Geyse também se prepara para cursar a faculdade de Medicina Veterinária.

“Este é um exemplo que poderemos compartilhar com outras escolas sobre a importância das hortas escolares, pela aprendizagem dos alunos e por acrescentar valores à merenda. Aqui, estamos oferecendo aos estudantes, que estão em fase de crescimento, alimentos mais saudáveis. E essas ideias são repassadas para as famílias que também podem cultivar alimentos orgânicos nos seus quintais”, comentou Antônio Guedes Ribeiro, diretor regional de Educação de Miracema.

A instalação da horta escolar deu novo impulso aos alunos, as aulas ficaram mais dinâmicas, os estudantes aprenderam a pensar mais na vida saudável, e a cuidarem melhor do meio ambiente.

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