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Seminários 13:42, 23 set 2015 Seminário Internacional reuniu especialistas para debater liderança e inovação na Educação Pública

Foto: Fábio Goes

A vice-presidente do CONSED e secretária de Estado da Educação de Mato Grosso do Sul, Maria Cecilia Amendola da Motta, compartilhou as experiências de gestão e as inovações do projeto “SED vai às esco

Nos últimos anos, a liderança escolar tem se tornado uma questão estratégica nas políticas educacionais em diversos países, porém, na América Latina, ainda tem sido um tema pouco abordado. Esse assunto levou mais de 200 profissionais da educação a se reunirem na última sexta-feira, dia 18 de setembro, em São Paulo, no Seminário Internacional Liderança e Inovação na Educação. O evento foi promovido pela Fundação Santillana e o jornal EL PAÍS, com o patrocínio da Fundação Telefônica Vivo e o apoio da Editora Moderna, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura  - UNESCO, do Conselho Nacional de Secretários de Educação  - CONSED e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME.


A vice-presidente do CONSED e secretária de Estado da Educação de Mato Grosso do Sul, Maria Cecilia Amendola da Motta,  compartilhou a sua experiência enquanto ex-secretária de educação de Campo Grande e de que forma essa vivência contribuiu para a elaboração de políticas atuais de inovação no governo estadual, como o projeto “SED vai às escolas”, que visa fortalecer o diálogo e a oferta de formação continuada para os profissionais da rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul.


A ex-secretária de Educação do Tocantins e vencedora do Prêmio Gestão Escolar 2011 Adriana da Costa Pereira Aguiar, destacou  a relevância da “formação pedagógica” dos gestores escolares e também do envolvimento da comunidade escolar para o sucesso das iniciativas. Apresentou sua experiência que evidenciou a importância de confiar nos estudantes, em seu desejo de aprender e participar de um ambiente escolar saudável e colaborativo.


“O seminário revelou experiências de inovações que estão em curso, com o protagonismo dos educadores e a transformação dos sistemas educativos a partir do engajamento e da ação criativa dos agentes da comunidade escolar. Uma das lições mais relevantes do encontro foi a importância de confiar nos estudantes como sujeitos do conhecimento a partir de um papel ativo e orientador dos professores. A tecnologia é importante, desde que aliada a um projeto pedagógico que valorize a iniciativa dos alunos”, concluiu André Lázaro, diretor da Fundação Santillana no Brasil.

Inovação e criatividade


Helena Singer, assessora especial do Ministério da Educação, apresentou as iniciativas do MEC para identificar experiências inovadoras e criativas nas escolas brasileiras, detalhando o programa recém-lançado “Inovação e Criatividade na Educação Básica”. Por meio de um mapeamento, será possível conhecer a distribuição geográfica e o perfil inovador e criativo das instituições de ensino. “Essas informações nos ajudarão a estabelecer políticas públicas para o segmento, a incentivar e a sistematizar as iniciativas positivas já identificadas”, afirmou Helena.

O assessor especial do MEC e secretário-executivo do Fórum Nacional de Educação, Walisson Maurício de Pinho Araújo, por sua vez, apresentou as iniciativas em curso para dar forma ao Sistema Nacional de Educação. O SNE é uma diretriz da Conferência Nacional de Educação e, de acordo com a lei que instituiu o Plano Nacional de Educação, até meados do próximo ano, a proposta de criação do sistema deve ser apresentada ao Congresso Nacional. Junto com a Base Nacional Comum, o Sistema Nacional de Educação e os Planos Estaduais e Municipais de Educação constituem as bases para o avanço na qualidade e na equidade da educação brasileira para a próxima década.

O evento também se aprofundou na temática da gestão educacional. Ricardo Cuenca, diretor geral do IEP (Instituto de Estudos Peruanos), falou sobre os principais desafios para a liderança escolar na América Latina. Um levantamento feito pelo pesquisador revelou que mais de 50% do tempo dos diretores escolares da região é gasto com atividades burocráticas de gestão e apenas 12% do tempo é direcionado para questões do dia a dia que envolvem alunos e professores. Ele alertou para a inexistência de uma gestão de carreira profissional e de políticas específicas para a formação dos diretores.

O foco em inovação foi bem conduzido por David Albury, diretor da Innovation Unit e consultor do GELP (Global Education Leaders' Partnership), que abordou as perspectivas internacionais voltadas para a inovação e a educação e também a relação investimento X qualidade. Na opinião do especialista, o Brasil tem importantes experiências de inovação, mas são pouco conhecidas e divulgadas. Ele reconhece que a educação tem ganhado espaço no orçamento brasileiro, mas boa parte desses recursos não chega até os estudantes. Para Albury, é preciso saber direcionar esses investimentos com ferramentas que permitam melhorar o aprendizado. Outro ponto mencionado foi a necessidade do uso de métodos educativos mais dinâmicos e aderentes à realidade dos jovens. Segundo o consultor, o currículo deve contemplar o desenvolvimento das competências nesse contexto educacional do século 21, contribuindo para engajar e “empoderar” os alunos e ainda prever a personalização do ensino.

Em complemento a esse tema, Lucia Dellagnelo, coordenadora da IIEB (Iniciativa para Inovação na Educação Brasileira), abordou a importância do estímulo a um “ecossistema gerador de inovações efetivas para que cada estudante alcance seu pleno potencial de aprendizagem”, comentando sobre Centros de Inovação existentes em diversos países e a ponderação a respeito do uso das tecnologias educacionais.

O Seminário Internacional Liderança e Inovação na Educação integra o programa “Liderança e conhecimento educativo”, promovido pela Fundação Santillana desde 2014, com o objetivo de compartilhar e difundir experiências transformadoras que contribuam para resultados educacionais com qualidade e equidade.

O painel que encerrou a programação, “Inovar para quê? O que buscamos atingir com a inovação educacional”, teve a participação de Maria Rebeca Otero Gomes, coordenadora do Setor de Educação da UNESCO no Brasil; de Mila Gonçalves, Gerente de Projetos Sociais da Fundação Telefônica Vivo; e de André Lázaro, Diretor da Fundação Santillana no Brasil. A representante da UNESCO apresentou a visão que o organismo internacional tem difundido acerca da cidadania global e a importância de a educação ser uma garantidora de direitos de crianças, adolescentes, jovens e adultos. Enquanto Mila Gonçalves relatou experiências inovadoras e bem-sucedidas em que escolas rurais, após a adoção de estratégias de inovação tecnológica a partir da iniciativa de seus professores, vêm alcançando importantes resultados de aprendizagem e permanência dos estudantes na escola. Em uma das experiências, a evasão escolar foi substituída por maior procura pela escola, numa clara expressão de adesão da comunidade rural às novas estratégias.


Com informações: Assessoria da Fundação Santillana

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