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Premiação 11:37, 26 nov 2020 Alunas do Colégio Estadual Petrônio Portela são premiadas na Semana de Pesquisa e Extensão da Unit

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As alunas Danielle Celestina Soares e Jamily Vitória dos Santos, do 3º ano do ensino médio do Colégio Estadual Ministro Petrônio Portela, em Aracaju, foram premiadas na Semana de Pesquisa e Extensão da Universidade Tiradentes (Unit). O trabalho de ambas foi orientado pelo professor Ilzver de Matos Oliveira, que leciona Direito Constitucional na graduação e Teoria dos Direitos Humanos no mestrado da Unit, e teve como tema “O conhecimento empírico do Mulherismo africana em comunidades sergipanas”.

O projeto foi classificado em 2º lugar na categoria Pibic Ensino Médio, sendo o Petrônio Portela a única unidade de ensino da rede estadual a participar do evento, que aconteceu no período de 16 a 18 de novembro, no formato online. O tema da 22ª edição da Semana de Pesquisa e Extensão da Unit foi “Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como promotores de Transformações Sociais e Científicas: visão global e ação local”.

De acordo com o professor Ilzver Matos, o projeto premiado foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do programa de iniciação científica no ensino médio, que concede uma bolsa de cem reais por doze meses para que os alunos de escolas públicas possam se inserir no universo da pesquisa e para que possam ampliar seus horizontes, interagindo com as universidades, com os pesquisadores, professores e alunos que já estão em nível de graduação e pós-graduação.

“O projeto premiado permitiu que nossas alunas conhecessem a teoria do Mulherismo Africana, uma ideologia que se aplica a todas as mulheres afrodescendentes e baseia-se na cultura africana, no afrocentrismo, nas experiências, lutas, necessidades e desejos das mulheres da diáspora africana. Com a pesquisa, as alunas puderam conviver na Unit, frequentar os eventos, acessar as bibliotecas para fazer levantamentos de dados, conhecer espaços de expressões culturais e ancestrais negras, como em Laranjeiras, o Terreiro Filhos de Obá e o Quilombo da Mussuca. Assim, para nós, foi muito importante esse prêmio por reconhecer que falar da história negra, do racismo, dos apagamentos da nossa contribuição para a formação dessa sociedade é algo urgente e crucial”, disse, ressaltando ainda que o trabalho contou com a colaboração da aluna de graduação Erlaine Karoline Cupertino e da aluna de mestrado Tayane Michele Santos Rocha.

A estudante Jamily Vitória dos Santos conta que o projeto perpassou por um curso, iniciado em 2019, com o tema “O conhecimento empírico do Mulherismo africana nas comunidades sergipanas”, cujo foco era aprofundar mais os conhecimentos sobre as comunidades quilombolas em Sergipe, onde as atividades foram desenvolvidas a partir de estudos bibliográficos e documentais. As pesquisas foram feitas semanalmente na biblioteca Tobias Barreto, localizada na Universidade Tiradentes. As atividades tinham como função o fichamento de livros, atas e documentos que tratassem da história e formação sociocultural do estado de Sergipe, a fim de esclarecer as influências da cultura africana e o apagamento desta diante dos ideais de sociedade difundidos por povos europeus.

“A ideia central da pesquisa consistiu em observar a potencialidade das mulheres negras nas comunidades onde a maioria delas não tem vez nem voz dentro de uma sociedade. Em razão da pandemia, o projeto não foi submetido ao comitê de ética, e assim ficou inviável o contato direto com pessoas da comunidade para que, por meio de entrevistas, pudessem relatar experiências da vivência das mulheres negras em diáspora, possibilitando maior compreensão da prática”, explicou.

Já a sua colega, Danielle Celestina Soares, explicou que a pesquisa surgiu a partir de um projeto de extensão iniciado em 2018 em Aracaju, com o tema “Mulherismo Africana”. Segundo ela, “mulherismo” é um termo criado pela autora e acadêmica afro-americana Cleonora Hudson para nomear os costumes ancestrais feitos por mulheres negras. O objetivo da pesquisa foi identificar a teoria do Mulherismo Africana em comunidades sergipanas, observando as manifestações culturais e cotidianas adotadas para a manutenção dos costumes ancestrais. Além das pesquisas bibliográficas, foi feita a coleta de dados e o uso documental em arquivos. “Foi uma experiência muito nova, e eu aprendi muitas coisas sobre uma cultura que faz parte dos nossos ancestrais. Adquiri um conhecimento muito amplo sobre esse assunto”, relatou.


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