Alfabetização na idade certa
08.10.2026
Compartilhar experiências que deram resultado, conhecer estratégias desenvolvidas em diferentes territórios e fazer com que boas práticas de alfabetização possam ser replicadas em outras escolas e municípios. Com esse propósito, a Secretaria de Estado da Educação da Paraíba, por meio do Programa Alfabetiza Mais Paraíba, promoveu, nesta quinta-feira (8), em João Pessoa, o III Seminário de Boas Práticas – Territórios que Alfabetizam. O encontro reuniu prefeitos, professores, gestores escolares, coordenadores pedagógicos e profissionais da educação para apresentar e discutir experiências desenvolvidas nas redes estadual e municipais de ensino.
Ao todo, mais de 600 boas práticas foram inscritas no programa, desenvolvidas desde a Educação Infantil até o 5º ano do Ensino Fundamental. Entre elas, foram selecionadas 16 experiências, uma de cada Gerência Regional de Educação (GRE), que se destacaram pelos resultados alcançados, especialmente no desenvolvimento da leitura e na fluência dos estudantes.
Para o secretário de Estado da Educação, Erivonaldo Alves, o seminário representa uma oportunidade de fazer com que as experiências desenvolvidas nos diferentes territórios ultrapassem os limites das escolas onde foram realizadas e possam contribuir com outras redes de ensino.
“Mais de 600 boas práticas foram inscritas. Nós queremos que todas essas boas práticas cheguem da melhor forma nas escolas, nas regionais, nos municípios, nas redes estaduais. Pois essas boas práticas são o reconhecimento de um trabalho em conjunto, é uma intensificação, é o Alfabetiza Mais chegando aos 223 municípios para mais de 200 mil alunos. É trazendo material fortalecedor, é trazendo uma recomposição, é trazendo uma formação para gestores, é intensificando e dizendo que é possível”, afirmou.
Uma das experiências apresentadas durante o seminário foi desenvolvida no município de Serra Branca, na área de abrangência da 5ª Gerência Regional de Educação. A supervisora e articuladora da rede municipal de educação, Jeovanize de Farias, apresentou a prática “Acompanhamento e monitoramento das aprendizagens como estratégia para intervenção pedagógica e o avanço da leitura da rede municipal de Serra Branca”.
A iniciativa envolve 22 turmas de 1º e 2º anos do Ensino Fundamental, distribuídas em oito escolas municipais, e utiliza o acompanhamento sistemático da aprendizagem para orientar intervenções pedagógicas. A estratégia envolve não apenas professores e gestores, mas também coordenadores, articuladores, formadores, psicopedagogos e outros profissionais da educação. O monitoramento realizado no início do ano identificou, em março de 2026, 36 crianças dos 2º anos consideradas prioritárias, por necessitarem de maior atenção em relação à aprendizagem e à fluência. Após a implementação das ações, esse número caiu para 11 estudantes em agosto, demonstrando o resultado do acompanhamento individualizado e das intervenções realizadas pelas equipes.
“Por 15 dias, nós tínhamos metas para cada profissional com aquelas crianças prioritárias. Após os 15 dias, voltávamos à escola e observávamos o que tinha conseguido, tudo no foco da leitura. Cada profissional agia dentro da sua área. A psicopedagogia observava a criança, se precisava de uma atividade de concentração, se precisava de uma atividade que envolvesse fonoaudiólogo. Todos esses pontos foram trabalhados”, explicou Jeovanize.
Outra experiência apresentada veio do município de Água Branca, pertencente à 11ª GRE. Desenvolvida pelo professor Paulo Santos, na Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Mãe Iaiá, a prática “Leitura Monetária” envolve estudantes e famílias em uma estratégia que associa o desenvolvimento da leitura à participação dos pais e a atividades de incentivo.
Os estudantes levam textos para casa, realizam a leitura e encaminham áudios aos professores por aplicativo de mensagens. A equipe acompanha o desenvolvimento da leitura e realiza as devolutivas necessárias. Como forma de incentivo, o projeto culmina em uma atividade complementar, uma feira em que os estudantes utilizam valores simbólicos acumulados durante o processo para realizar trocas por materiais. “À medida que as crianças cumprem essa atividade, elas vão recebendo um incentivo. No final do mês, esse incentivo é contemplado com um outro projeto complementar, que é uma feirinha”, explicou o professor Paulo Santos.
Além da apresentação das experiências, o seminário também marcou o registro e a disseminação dessas iniciativas por meio da revista Educação em Pauta – “O futuro da Paraíba passa pela Alfabetização na Idade Certa”, publicação editada pelo Alfabetiza Mais Paraíba. A revista reúne as práticas selecionadas nas 16 GREs e apresenta estratégias desenvolvidas nos municípios e na rede estadual, permitindo que as experiências possam ser conhecidas e utilizadas como referência por outros profissionais da educação.
A publicação também reúne iniciativas estruturantes do Alfabetiza Mais Paraíba, como o Trilhar: governança territorial da política de alfabetização, estratégia voltada ao fortalecimento das lideranças regionais e do regime de colaboração entre Estado e municípios, e as ações de Recomposição de Aprendizagens, destinadas a fortalecer o trabalho com os estudantes dos anos iniciais, especialmente do 3º ao 5º ano, apoiando os municípios na identificação e superação das principais defasagens de aprendizagem.
Participaram do evento o secretário executivo de Gestão Pedagógica, José Edilson; o secretário executivo de Cooperação com os Municípios, Roberto Ivens; a secretária executiva de Administração, Suprimentos e Logística, Pollyana Loreto; os prefeitos de Boa Vista e São Francisco, Fernando Aires e Gerôncio Sucupira Júnior, respectivamente; o promotor de Justiça do Ministério Público da Paraíba, Raniere Dantas; a representante da Undime, Áurea Canejo; a consultora da Associação Bem Comum, Verdiana Farias; e o secretário executivo da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (FAMUP), Pedro Dantas.