Escolas Estaduais da capital e interior são certificadas por práticas Étnico-Raciais

Mato Grosso do Sul

23.04.2026

Diversidade cultural não é tema complementar, mas um compromisso diário na escola

A educação para as relações étnico-raciais se consolida como política pública estruturante e a Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul celebra os resultados do Programa Raças e Etnias – Selo ERER/MS 2025.

Das 120 unidades escolares participantes em toda a REE, 20 pontuaram acima de 600 pontos e foram certificadas por meio de suas Coordenadorias Regionais.

Em Campo Grande e Dourados, sete escolas se destacam entre as que conquistaram certificação na categoria Afro-Brasileira e Indígena. As demais unidades foram certificadas pelo desempenho acima da pontuação mínima exigida.

A entrega do Selo ERER 2025, no Auditório da EE Maria Constância de Barro Machado, contou com a presença do subsecretário de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial em Mato Grosso do Sul, Deividson de Deus Silva, da SEC (Secretaria de Estado da Cidadania).

Quem mais envolve e integra a diversidade

O 1º lugar na categoria Afro-Brasileira em Campo Grande homenageia Tia Eva, fundadora da Comunidade Tia Eva na capital e foi conquistado pela EE Maria Eliza Bocayuva Corrêa da Costa, sob a direção de Adriane Leão.

O 2º Lugar presta homenagem a Hosanas Nascimento dos Santos, professora de Terenos que hoje conta com 97 anos de vida e história, conquistado pela EE João Carlos Flores, dirigida por Claudecy José da Cruz.

Também receberam a certificação pelo desempenho acima de 600 pontos:

- EE Henrique Ciryllo Corrêa, dirigida por Fabiano Francisco Soares; EE Antônio Delfino Pereira, sob a direção de Adriana Rodrigues, em 2025; EE Amélio de Carvalho Baís, com direção de Paulo Antonio Castaldeli; e EE Professora Maria de Lourdes Toledo Areias, dirigida por Adriana Bellei.

Professores que fazem a diferença

O programa Raças Etnias de MS/SELO - ERER/MS (Educação para as Relações Étnico-Raciais) também reconhece os docentes responsáveis pelos projetos pedagógicos de destaque.

O Prêmio ‘MBO'EHÁRA’ – palavra em Guarani Kaiowá que significa “aquele que se mostra, que se preocupa e que se interessa pela educação” – da categoria Cultura Indígena, foi para o professor Rafael Rondis Nunes de Abreu, da EE Antônio Delfino, em Campo Grande.

O Prêmio ‘OLÙKỌ́’ – a mesma definição do prêmio anterior, mas em Yorubá – da categoria Afro-Brasileira, foi conquistado pelo professor Emiliano Francisco de Souza, da EE Manuel da Costa Lima, em Bataguassu.

A professora coordenadora de Modalidades Específicas da Superintendência de Projetos e Programas Especiais da SED, Tânia Nugoli, reforçou a importância docente como pilares da certificação do Selo ERER.

“Nos bastidores das escolas premiadas pelo Selo ERER estão professores atuantes na educação étnico-racial; eles tem nome e rosto nesta transformação, com dedicação diária nas salas de aula,” ressaltou.

O que o Selo ERER representa

Mais do que um troféu, o Selo ERER/MS certifica o trabalho sério, contínuo e transformador de escolas que colocam no centro do currículo o enfrentamento ao racismo, a valorização das culturas afro-brasileira e indígena e a construção de identidades positivas entre os estudantes.

O programa se fundamenta nas Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatória a abordagem da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena no ambiente escolar. E vai além, estimulando práticas que impactam toda a comunidade escolar.

Programa segue em 2026

A SED convida as escolas da Rede Estadual a aderirem e darem continuidade a essa política educacional que transforma vidas e fortalece identidades. Clique aqui e descubra como proceder.

A professora responsável pela execução do projeto, Myla Meneses, afirma que o tema é estruturante porque coloca a diversidade no centro da educação e do combate ao racismo nas salas de aula da Rede Estadual.

"Cada escola certificada pelo Selo ERER/MS é a prova de que a educação étnico-racial não se limita à pauta, ela se torna prática transformadora, levando os estudantes a melhorar seu papel social no mundo,” destaca Myla.

Gilberto Junior, SED

Fotos: Rick Agra