O Elo Feminino da Educação: mulheres transformam a rede estadual com empatia e acolhimento

Alagoas

09.03.2026

Neste Dia Internacional da Mulher, a Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc) celebra a presença feminina em cargos de liderança. As cinco posições de destaque, incluindo a de secretária de Estado, as quatro secretárias executivas e a chefe de gabinete, refletem uma gestão marcada pela sensibilidade, experiência e compromisso com a Educação do estado.

Além disso, 51% dos cargos de gerentes especiais da Seduc são ocupados por mulheres, e 9 das 13 Gerências Especiais de Educação (GEEs) têm liderança feminina, representando 70% desse segmento estratégico da pasta.

Entre planilhas, salas de aula e reuniões pedagógicas, a educação pública se constrói diariamente a partir de diferentes histórias. Em Alagoas, muitas delas têm rosto de mulher. Seja na gestão estratégica da Secretaria, na dedicação silenciosa das professoras ou na coragem das estudantes que começam a ocupar espaços de decisão, essas trajetórias revelam um movimento que vai além das datas comemorativas.

No Dia Internacional da Mulher, a Educação mostra que a presença feminina é uma parte essencial da construção de um sistema mais humano, mais diverso e mais preparado para o futuro.

E, dentro das escolas, esse futuro já começou.

 

O olhar feminino na gestão

Para a secretária de Estado da Educação, Roseane Vasconcelos, essa presença feminina expressa maturidade institucional e reconhecimento das competências das mulheres. “Temos uma gestão de maioria feminina no Primeiro Escalão do Governo de Alagoas, graças à sensibilidade do nosso governador Paulo Dantas. Viver esse momento histórico é perceber que a sensibilidade para cuidar e o rigor para gerir são competências que as mulheres desempenham com excelência”, afirma.

Roseane percorreu cada etapa da carreira na educação: graduada em História e Pedagogia, começou como professora contratada em 1998, tornou-se professora concursada em 2001, foi gestora, em União dos Palmares, das escolas estaduais Dr. Carlos Gomes de Barros e Jorge de Lima e titular da 7ª Gerência Especial de Educação (GEE) no biênio 2027-2019. “Minha liderança é pautada pelo 'chão da escola’. O diferencial é a gestão do detalhe e a cultura do resultado. Cada obra, cada orçamento, cada ação é pensada para transformar oportunidades em realidade para os estudantes”, explica.

 

Transformação na Educação

 Formada em Pedagogia, Sandra Vitorino do Nascimento, secretária executiva de Gestão da Rede Estadual de Ensino, compara a condução de projetos à regência de uma grande orquestra, em que cada escola tem seu próprio ritmo. “A sinergia nasce da escuta empática: para que um projeto ganhe vida, ele precisa primeiro ganhar o coração dos gestores escolares”, diz. Sandra, que foi gestora da nonagenária Escola Estadual Rocha Cavalcanti, em União dos Palmares, e gerente da 1ª GEE, em Maceió, no biênio 2021-2023, salienta que a liderança feminina não é exclusividade, mas uma forma de resolver conflitos pelo diálogo.

“Enquanto muitos esperam o soco na mesa, nós oferecemos a mão estendida. Resolver crises sob essa ótica é transformar o conflito em colaboração, mostrando que a competência não tem gênero, mas a liderança ganha cores muito mais vivas quando combinamos sensibilidade e experiência de vida com o crachá”, destaca.

Também pedagoga e com passagens pelas escolas Rocha Cavalcanti e Dr. Carlos de Barros, 7ª GEE, Secretaria Municipal de Educação de União dos Palmares e na titularidade da Gerência de Articulação Institucional e Superintendência do Sistema Educacional de Alagoas da Seduc, a secretária executiva do Desenvolvimento da Educação e Cooperação com os Municípios, Sueleide Duarte, diz que coordenar projetos na rede estadual exige constante diálogo e respeito às diferenças.

Sueleide ressalta que a sinergia entre as equipes é desafiadora, mas também estimulante e engajadora, porque permite reconhecer que cada saber tem valor próprio e pode ser complementar.

“Ser mulher amplia a visão sobre o verdadeiro valor da nossa participação, especialmente na resolução de crises, ao compreender que o que faz a diferença não é o peso do cargo, mas o valor da contribuição”, afirma.

Na Superintendência de Alimentação Escolar, Raquel Ferreira comanda uma equipe formada inteiramente por gerentes especiais mulheres, demonstrando como a presença feminina transforma o ambiente de trabalho.



“Liderar um time de mulheres é aprender todos os dias com a sensibilidade e persistência de cada uma. A presença feminina torna o ambiente mais dinâmico, resiliente e leve”, declara.

Ela destaca que essa liderança influencia diretamente as políticas de alimentação escolar, como o Programa do Campo para Sala de Aula, que movimenta mais de 5 milhões de reais em compras da agricultura familiar. “Essa iniciativa é liderada e operacionalizada por mulheres em toda a Seduc, desde a administração central, passando pelas GEEs, até as escolas e o campo. É algo que nos orgulha por transformar vidas e fortalecer a Educação e a comunidade”, conclui Raquel Ferreira.

 

Nos bastidores da educação, a presença feminina também constrói caminhos

Nos bastidores da Educação Pública, longe das salas de aula, também existem histórias que ajudam a construir diariamente o funcionamento da rede estadual. Entre documentos e rotinas administrativas, profissionais garantem que a engrenagem da Educação continue girando. É nesse cenário que atua Adriana Feitosa da Silva, agente administrativa da Seduc, que há mais de duas décadas acompanha de perto as transformações da instituição.

Adriana ingressou na Seduc no ano 2000, lotada em uma escola vinculada à 3ª GEE, em Palmeira dos Índios. Desde então, permanece exercendo a função administrativa, acompanhando diferentes momentos da Educação estadual e contribuindo para a organização do trabalho interno da Secretaria. Ao longo dessa trajetória, ela percebeu mudanças importantes também na forma como as mulheres passaram a ocupar espaços dentro da gestão pública.

“Desde que eu entrei na Secretaria da Educação, percebi que as mulheres ocupavam a liderança em vários setores. Hoje vemos ainda mais mulheres participando das decisões e assumindo funções de liderança, contribuindo ativamente para o desenvolvimento do trabalho, mediante sua competência e dedicação”, relata.

Ao observar o ambiente da Secretaria ao longo desses anos, Adriana também identifica características que, na sua visão, marcam a presença feminina no Serviço Público. Para ela, a forma como muitas mulheres lidam com as relações humanas acaba influenciando positivamente o ambiente de trabalho.

“Acredito que a presença feminina contribui muito para transformar a forma de comunicar e de trabalhar no serviço público. As mulheres costumam ter mais sensibilidade, aconchego e atenção às pessoas”, explica.

A convivência diária com diferentes profissionais e desafios administrativos também despertou nela o desejo de continuar se qualificando. Adriana conta que a própria experiência dentro da Secretaria acabou impulsionando sua vontade de estudar e crescer profissionalmente.

“Trabalhar nesta instituição impulsionou minha vontade de estudar. Isso ajudou a me qualificar, ganhar confiança e me posicionar mais nas discussões do dia a dia, mostrando que é possível crescer e contribuir com a equipe”, destaca.

Ao olhar para sua própria trajetória e para o avanço da presença feminina nos espaços profissionais, Adriana também deixa uma mensagem para outras mulheres que desejam construir seus caminhos.

“Tenham confiança em seu próprio potencial, procurem se qualificar e não tenham medo de se posicionar. Toda contribuição é válida. Com dedicação, responsabilidade e coragem é possível conquistar espaço e servir de inspiração para outras mulheres”, aconselha.


A professora que transformou vocação em missão

Se você foi estudante da Escola Estadual Alberto Torres, em Maceió, é muito provável que, em algum momento da sua trajetória, seu caminho tenha se cruzado com uma figura essencial da instituição. Uma mulher que, ao longo dos anos, se tornou muito mais do que parte da equipe escolar.

Durante mais de duas décadas, ela esteve presente nos corredores da escola, acompanhando de perto a vida de estudantes que, muitas vezes, chegavam carregando dificuldades, vulnerabilidades ou conflitos emocionais. Em muitos desses momentos, foi ela quem estendeu a mão, ouviu, aconselhou e ajudou a mudar rumos que pareciam incertos.

Alguns a conhecem pelo cargo, chamando-a de diretora. Outros, de maneira mais formal, chamando de gestora. Mas para quem realmente viveu o cotidiano da escola e encontrou nela um olhar atento e um coração disposto a ajudar, o nome sempre foi outro: Tia Gê.

 Se o planejamento acontece nos escritórios da Secretaria, é na sala de aula que a Educação ganha um rosto. E, no caso da professora Geane de Castro, essa história começou muito antes da aprovação em concurso público. A vocação para ensinar nasceu ainda na adolescência. Aos 14 anos, ela já dava seus primeiros passos dentro de sala de aula, atuando como auxiliar, já que a pouca idade ainda não permitia que assumisse oficialmente o posto de professora. O desejo, no entanto, já estava claro.

Anos depois, em 2005, veio a aprovação no concurso público do Estado como professora de Artes. A primeira escola foi também aquela que se tornaria sua grande referência profissional: a Escola Estadual Alberto Torres. Desde então, são duas décadas dedicadas à mesma comunidade escolar.

O caminho até a docência foi fortemente influenciado pela família, especialmente pela mãe. Professora formada, ela nunca chegou a exercer a profissão, já que o marido não permitiu que trabalhasse fora de casa, realidade comum em outras épocas. Ainda assim, foi dentro de casa que a inspiração nasceu.

“Minha mãe sempre ensinou a mim e a meus irmãos. Quando fui para a escola, já estava alfabetizada porque ela nos ensinava em casa. Ela dizia sempre que a gente precisava fazer o melhor”, recorda.

Hoje, depois de duas décadas de trabalho, Tia Gê se tornou uma figura simbólica para gerações de alunos que passaram pela escola. O carinho que recebe reflete uma forma de ensinar que vai além do conteúdo. Tia Gê costuma citar que o seu maior método de ensino é a “pedagogia do amor”.

“Eu tento passar para eles o amor, o respeito, o cuidado com o outro. Muitos alunos chegam aqui carregando dificuldades muito grandes da vida. Então procuro acolher o máximo que posso. Às vezes o que a criança mais precisa é de atenção, de cuidado, de alguém que escute”, conta.

Com duas décadas dedicadas à escola, Tia Gê se tornou uma referência afetiva para gerações de estudantes que passaram pelo Alberto Torres. Para os alunos, ela se tornou uma figura de acolhimento dentro da escola. Ao falar sobre esse reconhecimento, ela demonstra emoção e reforça que seu maior objetivo sempre foi ensinar pelo exemplo. Ela conta que se sente muito honrada e feliz, pois tudo o que aprendeu acabou se concretizando: ensinar com amor.

 

Liderança estudantil e o despertar para o protagonismo

Se professoras como Tia Gê representam a permanência e a experiência dentro da escola pública, as estudantes mostram que o futuro da educação também está sendo moldado por jovens mulheres. Aos 18 anos, Geovana dos Santos Amâncio, estudante da Escola Estadual Onélia Campelo, já ocupa espaços de representação importantes dentro da escola. Ela participa tanto do Grêmio Estudantil quanto do Conselho Escolar, experiências que, segundo ela, transformaram sua forma de enxergar a escola e o próprio papel das mulheres na sociedade.

“Muitas vezes as mulheres ainda precisam provar sua capacidade. Estar nesses espaços me fez perceber que podemos ocupar lugares de decisão e contribuir para mudanças reais”, observa.

A estudante afirma que ver mulheres em cargos de liderança dentro da escola e também na gestão da Educação Estadual influencia diretamente suas expectativas de futuro. Ao concluir o ensino médio, Geovana pretende seguir carreira na Psicologia. Para ela, a escola tem sido fundamental na construção desse caminho.

 

Sonhos que começam na escola pública

Aos 15 anos, Marina Helena Veríssimo de Santana, estudante da Escola Estadual Teotônio Vilela, também observa com atenção a presença feminina nos espaços de liderança da escola. Na unidade onde estuda, a gestão é formada por duas mulheres, algo que, segundo ela, representa um sinal importante de mudança em uma sociedade ainda marcada pelo machismo.

“Mesmo que pareça algo pequeno, ver mulheres gerenciando a escola mostra que ainda podemos conquistar e ocupar lugares importantes”, reflete.

Marina também já participou do Grêmio Estudantil e ajudou a desenvolver um projeto voltado para higiene íntima feminina e educação sexual dentro da escola. A iniciativa incluiu palestras e distribuição de preservativos, buscando tratar o tema de forma leve e informativa. Para ela, a Educação também é um instrumento de transformação social. O sonho profissional já está definido: quer se tornar jornalista.

“Quero dar voz a quem não tem e mostrar injustiças para que elas sejam vistas e resolvidas. Mas não quero ter apenas uma formação. Quero aprender sempre e seguir conquistando meus objetivos”, resume.

(*)Fotos também de Thiago Ataíde, José Demétrio e Kaique Pacheco

Nalu Ambrózio e Yasmin Henrique / Ascom Seduc /  Foto: Alexandre Teixeira / Ascom Seduc