Projeto de educação fiscal promove conscientização e protagonismo estudantil na ECIT Mangabeira

Educação Fiscal

28.05.2026

Nesta quarta-feira (27), a ECIT Pastor João Pereira Gomes Filho, localizada no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, realizou a culminância do projeto “Educação Fiscal: Nosso Patrimônio de Cada Dia”. O evento reuniu alunos, professores, gestão e comunidade num formato inovador de Orçamento Democrático, alinhado ao atual ciclo de debates sobre a aplicação dos recursos públicos.

A abertura foi conduzida pela gestora Elaine Cristina, que destacou a importância de compreender que os impostos são essenciais para a manutenção de serviços e espaços coletivos, e que a preservação do patrimônio público é responsabilidade de todos. O professor Manoel Messias, coordenador do projeto, ressaltou os resultados já alcançados dentro e fora da escola, mencionando os debates realizados na Assembleia Legislativa, realizado no último dia 26.

Durante o evento, estudantes compartilharam relatos profundos sobre a mudança de comportamento provocada pela iniciativa. Um dos jovens confessou que acreditava não pagar impostos e, por isso, sentia-se no direito de não zelar pelo patrimônio público, até compreender, com o projeto, que os tributos estão presentes no cotidiano de todos. Outro estudante emocionou os presentes ao contar que passou horas conversando com os pais em casa, ajudando a “descomplicar” o tema e despertando o senso crítico para cobrar transparência das autoridades.

Os estudantes já haviam levado o projeto à Assembleia Legislativa da Paraíba, onde dialogaram diretamente com parlamentares sobre a importância dos impostos na manutenção do patrimônio público, conheceram iniciativas de combate ao vandalismo e compreenderam na prática o papel do legislativo na construção de políticas públicas voltadas à cidadania e à educação. A visita representou um marco na aproximação entre os jovens e o poder público, reforçando os aprendizados construídos ao longo dos meses.

Os depoimentos colhidos na culminância evidenciam o impacto transformador do projeto. “Eu era a pessoa que menosprezava as coisas da escola. Agora reconheço que quem está pagando sou eu e preciso cuidar mais”, disse Luca de Nascimento, 14 anos, primeiro ano, integrante do projeto. Alice de Lima Simões, de 15 anos, estudante do primeiro ano também foi impactada pela iniciativa. “Passei a enxergar o patrimônio público de outra forma. Preservar também é um ato de cidadania.” Ela ainda destacou que o projeto ajudou sua família a entender a função social dos tributos: “Meus pais nunca tinham refletido sobre isso. Agora, cobramos juntos mais investimentos e transparência.”

A gestora Elaine Cristina anunciou que o projeto “já ganha voos mais altos”, propondo oficinas aos sábados voltadas à comunidade escolar e defendendo que a educação fiscal deve ser itinerante, permanente e transformadora. Ela lançou um desafio aos mais de 100 alunos envolvidos diretamente, especialmente das primeiras séries, para dar continuidade às ações e ampliar o alcance para o público externo. Trabalhar a educação fiscal sob o olhar da preservação do patrimônio mostra o quanto o aluno protagonista se envolve com aquilo que é seu, que é de todos. Afinal, o patrimônio público não é gratuito: ele existe porque é construído e mantido por toda a sociedade.

O professor Manoel explica que os estudantes desenvolveram ações dentro e fora da escola com base na metodologia 5W2H, ferramenta de gestão usada para criar planos de ação estruturados e diretos, levando a Educação Fiscal para além da teoria e transformando o aprendizado em práticas de conscientização social. Entre as ações realizadas, os estudantes da 1ª série elaboraram um dossiê patrimonial, realizando o levantamento de materiais danificados, sucateados e reaproveitados da própria escola. A atividade permitiu refletir sobre o mau uso dos recursos públicos e combater a ideia ultrapassada de que “o que é público é grátis”.

Já os estudantes das 2ª e 3ª séries realizaram pesquisas, entrevistas, levantamentos de dados, visitas técnicas e campanhas educativas, em parceria com os alunos das 1ª séries. As ações envolveram entrevistas com professores, estudantes e comunidade externa, além da produção de vídeos orientativos e campanhas digitais sobre o cuidado com o patrimônio público e o combate ao vandalismo.

Manoel Messias destaca que todo o material produzido trouxe aprendizados significativos para os estudantes, especialmente na recomposição das aprendizagens em Língua Portuguesa e Matemática. Em Português, os alunos fortaleceram habilidades de argumentação, oralidade, interpretação crítica e produção textual. Em Matemática, desenvolveram competências relacionadas à leitura de gráficos, análise de dados, percentuais e organização de pesquisas.

"Além dos impactos pedagógicos, o projeto fortaleceu o sentimento de pertencimento dos estudantes em relação à escola pública, promovendo consciência fiscal, responsabilidade coletiva e participação cidadã", ressalta o professor. "Durante todo esse período, os alunos ampliaram a compreensão de que os impostos são essenciais para a manutenção, funcionamento e preservação do patrimônio público, reconhecendo a escola como um bem coletivo que deve ser valorizado e protegido por todos", completa.