Paraíba
08.04.2026
Emerson Felipe, docente da Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental e Médio Cacique Domingos Barbosa dos Santos, localizada na cidade de Rio Tinto, no Litoral Norte paraibano, conquistou o Prêmio Professor Porvir. O Prêmio que está na sua 3ª edição, reúne iniciativas de diferentes contextos do país que provam o potencial transformador da escola. A ação é promovida pela Porvir, agência de jornalismo e soluções de comunicação, sem fins lucrativos, dedicada a impulsionar inovações na educação.
O professor concorreu na categoria anos finais do ensino fundamental e trabalhou com mais de 100 estudantes do 6º ao 9º ano, no projeto ‘Corporeidade, território, ancestralidade e ecossaberes: práticas corporais indígenas como expressão de cuidado ambiental e identidade cultural na abordagem STEAM com a cosmovisão Potiguara’. A iniciativa foi desenvolvida na Terra Indígena Potiguara de Monte-Mor (PB) e surgiu da necessidade de integrar, de forma viva e significativa, os saberes tradicionais indígenas ao currículo de Educação Física, promovendo uma aprendizagem contextualizada, criativa e crítica, em diálogo com o território e a abordagem STEAM.
De acordo com Emerson, o intuito é valorizar práticas corporais indígenas como expressão cultural, ecológica e identitária, envolvendo à disciplina de Educação Física, por meio da abordagem STEAM. O projeto se alinha à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ao desenvolver habilidades como pensamento crítico, valorização da diversidade e responsabilidade socioambiental, além de dialogar com o currículo local, os saberes Potiguara e o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (RCNEI).
“Trabalhamos a Ciência com análise dos impactos ambientais e fisiologia do movimento, a Tecnologia com a edição de vídeos, gravação de podcasts, a Engenharia com a montagem de instalações, na área de Artes envolve dança, canto, pintura corporal e em Matemática, a organização espacial, padrões e medidas. Os estudantes participaram ativamente em todas as etapas, assumindo o protagonismo na investigação, criação e apresentação dos produtos finais. As escolhas foram feitas em grupo, respeitando os interesses, talentos e realidades de cada participante. Houve grande engajamento, pois a proposta dialogava com suas identidades, memórias e vivências cotidianas”, detalhou o professor.
A premiação do Povir reuniu 656 projetos, sendo que a maioria de inscritos (91,4%) vieram das redes municipais, estaduais ou federal.
O projeto da Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental e Médio Cacique Domingos Barbosa dos Santos ficou entre os 10 premiados e foi escolhido por meio de dois processos distintos: uma seleção técnica, feita por um júri de especialistas em educação, e uma votação popular.
Emerson Felipe também é aluno egresso da rede pública de ensino, pedagogo, professor de educação física e doutor em Ciências da Educação e atua na educação básica há 25 anos, sendo 20 anos na educação escolar indígena.
Além do Prêmio Povir, referente a 2025, o professor conquistou o Prêmio Territórios em 2023 com o projeto Reflorestamento, Conservação e Conscientização: os Escolares Protagonizam (Escola Indígena Cacique Domingos) e em 2024 com o projeto Paradesportivo Super Atletas (Escola Municipal Antônio Azevedo).