Mato Grosso do Sul
05.11.2026
Incluir um estudante surdo pode ir muito além de garantir um intérprete de Libras.
A tecnologia tem sido aliada da inclusão de estudantes surdos na educação oferecendo mais que materiais pedagógicos acessíveis, planejamento individualizado e vínculo com a família.
Agora, eles precisam ter domínio das ferramentas digitais que permitem criar conteúdo visual, interativo e adaptado para quem aprende pelo olhar.
Com foco na preparação de professores para esse novo papel, a SED realizou o segundo encontro formativo do ano voltado aos professores de Apoio Pedagógico Especializado que atuam com estudantes surdos na rede estadual.
O que os professores aprenderam
Com foco em ‘Tecnologia e Acessibilidade: Produção de Materiais Pedagógicos para Estudantes Surdos’ o encontro foi sediado presencialmente no Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez, o CAS/MS, em Campo Grande.
O evento aconteceu em junho deste ano e foi transmitido remotamente para professores de municípios do interior, integrando diversas coordenadorias regionais de educação.
Na prática, os professores aprenderam a explorar ferramentas como PowerPoint, Canva e os recursos premium do Google Workspace, disponíveis para usuários da plataforma Edutec, da SED.
Tudo feito para criar e adaptar materiais acessíveis que fazem sentido para quem aprende visualmente. Temas do cotidiano profissional também foram debatidos, como ética, registros pedagógicos, atuação nos conselhos de classe e a importância do vínculo entre escola e família. Dinâmicas em Libras fortaleceram o uso da língua de sinais como instrumento pedagógico real, não apenas protocolar.
O estudante surdo no centro
Para a gerente pedagógica do CAS, Daniela Silva da Costa, manter o estudante no centro não é burocracia, não é protocolo, não é formulário. É o que diferencia uma política de inclusão que funciona de uma que apenas existe no papel.
“Fico extremamente feliz em recebê-los para mais um momento de formação, de qualificação permanente, que mantém nosso estudante surdo sempre no centro das discussões e das ações pedagógicas”, disse.
Formação onde o estudante estiver
O formato híbrido do encontro – presencial, em Campo Grande e remoto para o interior – reflete uma compreensão importante. Inclusão começa pela formação dos professores, e essa formação precisa chegar a todos, independentemente do município onde atuam.
Em Mato Grosso do Sul, com sua extensão territorial e diversidade regional, isso não é detalhe, é uma conquista coletiva.
Gilberto Junior, SED
Foto: Arquivo Escolar